
05 de maio (sabado) das 18hs às 19hs
Aliados da Periferia.
Salão Internacional do Livro. Praça do Mitre.
Bora lá curtir um bom RAP!!!
ALIADOS DA PERIFERIA NO SALÃO DO LIVRO
Encontro do Rap com o Repente
RAJADA MC'S SE APRESENTARÁ NOVAMENTE EM FOZ

O grupo de rap de Campo Mourão Rajada Mc's estará novamente em Foz do Iguaçu.
O evento acontece no dia 12 de maio na sede do Projeto New For LiFe.
Outros grupos que se apresentarão:
Mandamentos da rua;
Manow ED (Iporã - PR);
Verso de honra;
Eloquentes,
e Manow Edgar.
Inicio as 22:00 Hrs, entrada R$ 7,00 reais.
Endereço: Rua mandaguari, 461 - Santa Rosa, Vila A, (ao lado da ACDD)
Telefones para contato:
(45) 3575-3080, (45) 9998-2027, (45) 9139-3666.
ALIADOS DA PERIFERIA E MANO ZEU SE APRESENTARÁ NA UNIOESTE DE TOLEDO

Estudantes da Unioeste organizam a II TARDE CULTURAL - ARTE EM MOVIMENTO.
Segundo os organizadores ’’O Evento surgiu da necessidade sentida pelos estudantes em promover um espaço de fomentação das mais variadas manifestações artísticas dentro da universidade. E têm como um de seus objetivos promover a aproximação dos estudantes com a comunidade em geral, estimulando desta forma a ocupação de um espaço público que a todos pertence’’
De Foz do Iguaçu temos presença confirmada dos grupos de Rap: Aliados da Periferia e Mano Zeu.
Dia: 15/04/2012 [domingo]
Horário: a partir das 14:00h.
Na Unioeste - Campus Toledo [Rua da Faculdade, 645, Jardim La Salle]
A PRAÇA É DO POVO - Atividade Cultural em Três Lagoas

Os grupos de rap convidados para o evento são: O Verbo Rap, Aliados da Periferia e Mano Zeu. Presença confirmada também dos B.Boys Guilherme e Adão.
O evento conta ainda com Música Gospel, Moda de Viola, e Sarau de Poesia.
A atividade acontece na Praça, nesse sábado dia 24 de março, das 19:00hs às 22:00hs.
Entidades organizadoras:
APMF (Colégio Arnaldo Busatto)/ Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz / Associação de Moradores do Jd. Bandeirantes / Associação de Moradores da Vila Miranda / Revista A Cachola / FRONTera Hip-Hop / Igreja Ev. Assembléia de Deus – Três Lagoas / MCUSV Movimento Cidade Unida Salvando Vidas / Associação dos Mototaxistas do Paraná
MANO ZEU EM ENTREVISTA AO NPC
Mano Zeu esteve no Rio de Janeiro e concedeu entrevista ao NPC (Núcleo Piratininga de Comunicação).
confiram:
Entrevista com Mano Zeu - Hip Hop como ferramenta de educação libertária
O rapper Mano Zeu, de Foz do Iguaçu, acredita na força da música para a conscientização e a denúncia das arbitrariedades sofridas por quem não tem espaço nos meios tradicionais de fazer ouvir a sua voz. Seu trabalho recente, o CD Brasil Ilegal, é um exemplo de como a música pode servir de instrumento para a construção de uma sociedade mais justa. A primeira canção, assinada por Danilo Georges, anuncia a crença de que o hip hop pode servir a uma “pedagogia libertária”. Ou seja: aquela que reconhece outras formas de ensinamento e transmissão de saberes, valorizando experiências que muitas vezes não encontram espaço na educação formal das escolas e universidades.
Como pretende ser, o CD é um ensinamento sobre a vida do povo, a vida do morro, a vida dos excluídos. Pela arte de Mano Zeu ouvimos a denúncia de uma “pátria armada”, repleta de periferias e favelas abandonadas pelo Estado, que chega nesses locais na maioria das vezes apenas com violência. O álbum é um verdadeiro hino aos guerreiros sobreviventes do dia-a-dia: “salve os quilombos, povos originários. Salve mães, mulheres e filhos assassinados pelo Estado”. É um grito de denúncia do que a mídia encobre.
Em entrevista concedida por e-mail, Mano Zeu conta sua história no Hip Hop, a vinda ao Rio de Janeiro, o objetivo de sua música na denúncia das injustiças e as críticas a artistas que escondem as mazelas da nossa sociedade. Diz ele: "Rap é uma música que sempre narrou todas as mazelas da sociedade, a violência, a corrupção, a desigualdade, a repressão. Isso tudo continua nos dias atuais e a cada vez se intensifica, com as remoções das favelas, o militarismo, mas isso ta sumindo das letras de rap desses mc’s que estão na grande mídia". Ele também explica os objetivos do coletivo de que faz parte, o Fronteira Hip-Hop, e reforça o entendimento de que o rap e as práticas culturais da favela são ferramentas de educação libertária. "Assim como a literatura de Cordel serviu como educação para milhares de pessoas do campo no Nordeste, hoje o Rap faz esse papel de levar informações em suas músicas, informações essas que dificilmente teremos acesso nas escolas, ou nos grandes jornais", explica.
Confira a entrevista.
Conte rapidamente sobre sua trajetória no Hip Hop. Quando você começou a produzir e a se apresentar nesse ramo?
No ano de 1995 eu trabalhava como Dj de musica eletrônica numa danceteria no bairro da AKLP em Foz. É uma associação de moradores onde se organizavam festas no fim de semana. Ali comecei a tocar as primeiras músicas de rap. Eu entrei pro movimento Hip-Hop mais tarde, em 1999, como Dj de um grupo chamado "Aliados da Periferia". Nessa época eu já escrevia algumas letras de rap. Mas iniciei mesmo como letrista e Mc em 2003 num grupo chamado Conexão PB, formado por amigos da favela onde eu morava (Jd. Paraná) e de um bairro vizinho (Jd. Belvedere). Em 2007 eu comecei minha correria solo, contando com a participação dos amigos.
Fale um pouco sobre sua vinda ao Rio para participar do curso de Agentes Populares, na UFF.
Um amigo meu – Danilo – é formado em história e veio pro Rio de Janeiro para tentar fazer mestrado. Aqui ele conheceu a Adriana Facina, o Mardônio e outras pessoas que estavam organizando o curso de Agentes Culturais Populares. As inscrições estavam sendo feitas pelo blog, ele pediu pra eu me inscrever, pois seria um curso importante, para amplificar os trabalhos que desenvolvíamos em Foz do Iguaçu. Eu me inscrevi e fui selecionado. A proposta do curso era potencializar e dar ferramentas para agentes culturais moradores de favela que já desenvolvessem atividades na área de produção cultural. Então nesse curso aprendemos como escrever e gestionar projetos, captar recursos, além da formação de redes culturais.
No curso tive contato com mcs de Funk e de Rap, fotógrafos, poetas, cineastas, dançarinos, artistas plásticos, sambistas, militantes de diversas áreas, animadores culturais, líderes comunitários, moradores de diversas favelas do Rioo. Assim eu conheci vários projetos em várias favelas do Rio. Eu consegui acompanhar 6 meses de curso e nesse tempo que estive no Rio participei de outros cursos de formação. Fiz o curso Como Funciona a Sociedade 1 e 2, e o Comunicação e Expressão organizados pelo Movimento 13 de Maio e MST. Participei também de uma aula de fotografia na Cidade de Deus, parte de um curso de comunicação comunitária oferecido pelo NPC. Nessa época estava acontecendo também as Rodas de Funk e a luta pela descriminalização do Funk, o que consegui acompanhar um pouco junto com o pessoal da Apafunk.
Quantos e quais CDs você já lançou? Atualmente você trabalha e milita com o que?
Nos outros grupos que participei, Aliados da Periferia e Conexão PB, gravamos músicas que saíram em algumas coletâneas. O primeiro e único álbum é o Brasil Ilegal, que lancei em 2011. Atualmente eu to trabalhando com produção de audiovisual, produção musical (criando instrumentais de rap) e nas horas vagas como auxiliar de eletricista. Eu milito no Movimento Hip-Hop, no Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu e no jornal comunitário Cidade Nova Informa. Começamos também com um movimento na área literária, com organização de sarau de poesia.
Quais são seus ídolos no mundo da música? Por quê?
Não tenho ídolos. Às vezes acho a pessoa musicalmente boa, mas politicamente ruim. Um exemplo é o Criolo e o Emicida, que são dois rappers que hoje estão na grande mídia. São músicos muito bons, mas fazem essa mediação e pregam uma neutralidade da arte quando dão entrevista pra mídia gorda. O GOG (rapper de Brasília) tem uma música chamada "Carta à Mãe África" que traduz um pouco isso. Nessa música ele diz: “No mural, vendem a democracia racial / e os pretos, os negros afro-descendentes / passaram a ser obedientes, afro-convenientes / nos jornais, entrevistas nas revistas / alguns de nós quando expões seus pontos de vista / tentam ser pacíficos, cordiais, amorosos / e eu penso como os dias tem sido dolorosos ”.
Eu li um texto de um artista plástico, colunista da Caros Amigos, Gershon Knispel, onde ele fala do pintor Portinari, como ele pintou em seus quadros toda a miséria e violência que via em sua volta. E como nos dias atuais essa miséria continua, mas sumiu da maioria dos quadros dos artistas plásticos. O Rap é uma música que sempre narrou todas as mazelas da sociedade, a violência, a corrupção, a desigualdade, a repressão. Isso tudo continua nos dias atuais e a cada vez se intensifica, com as remoções das favelas, o militarismo, mas isso ta sumindo das letras de rap desses mc’s que estão na grande mídia.
Além de Rap eu escuto MPB da década de 60 e 70. Tive acesso a pouco tempo a cena psicodélica da década de 70, das bandas que fizeram a resistência comportamental à ditadura militar, então estou escutando muito essas bandas. Escuto Funk gringo e Funk Carioca, Samba, Reggae nacional, Moda de Viola, Forró, Punk/Hc, de tudo um pouco.
Explique um pouco sobre o Frontera Hip Hop.
No ano 2000 a gente formou em Foz o Coletivo de Hip-Hop Cartel do Rap. Com esse coletivo desenvolvemos algumas atividades de oficinas, produção de fanzines e informativos, organizações de evento e conseguimos montar um Studio Comunitário de gravação e produção. Eu me desliguei do Cartel do Rap em 2010, porque o coletivo não conseguiu avançar em algumas questões e ficou mais focado na organização de shows de rap. O Frontera Hip-Hop é uma tentativa de ir além dos shows e da produção artística do Hip-Hop. Trabalhar a questão de cursos de formação e de engajamento com movimentos sociais, contribuir para a construção de atos públicos.
Outra questão é a nossa localização geográfica. Foz do Iguaçu faz fronteira com o Paraguai e a Argentina. Então a gente tem uma facilidade maior de trabalhar o Hip-Hop latino-americano. O Brasil, por não falar espanhol, não se reconhece como latino e isso influi dentro do Hip-Hop também. O hip-hop avançou bastante no reconhecimento como afro-descendente, mas falta avançar nessa questão latina. Essa é uma das propostas do Frontera.
Na abertura do seu mais novo CD, Brasil Ilegal, defende-se o Hip Hop como pedagogia libertária. Você pode falar um pouco melhor sobre isso?
Essa faixa quem escreveu e gravou foi o Danilo Georges. Ele escreveu depois que teve acesso ao livro do Maurício Tragtenberg: Teoria da Pedagogia Libertária. Esse livro questiona as relações de poder nos processos educativos convencionais. Traz algumas questões defendidas por Paulo Freire, como a educação ser gestionada pela comunidade e na comunidade onde as pessoas crescem e se desenvolvem. Um exemplo disso é o MST, que construiu seus próprios métodos e processos educacionais. Inclusive o movimento usa o nome de “Educação do Campo” e não “Educação no Campo”. É algo criado e gerido por eles, e não algo que vem de fora.
Nessa faixa do CD o Danilo observa a relação do Rap e da educação. O rap e as práticas culturais da favela como ferramentas de educação libertária. Assim como a literatura de Cordel serviu como educação para milhares de pessoas do campo no Nordeste, hoje o Rap faz esse papel de levar informações em suas músicas, informações essas que dificilmente teremos acesso nas escolas, ou nos grandes jornais. Num país de forte cultura oral como o Brasil, e um povo que não lê muito, o rap tem papel fundamental no trabalho de conscientização e mobilização social através da música. Nós moradores de favela por muito tempo fomos usados pela Universidade apenas como objeto de estudo, e o Hip-Hop traz esses questionamentos da urgência da democratização da universidade. Recentemente participei de debates sobre a Universidade Popular e percebi que só avançaremos se isso for criado de fora das estruturas do Estado, um projeto alternativo de educação e de trabalho de base criado e gerido pelos movimentos sociais.
A denúncia social sempre fez parte de sua atuação musical?
A gente sempre faz um esforço na memória para tentar lembrar quando nos tornamos militantes e nunca lembramos. Eu perdi o pai muito cedo e minha mãe trabalhava demais para sustentar os seis filhos pequenos. Ela não tinha muito tempo pra cuidar da gente. Então desde pequeno eu provei de uma liberdade de poder fazer o que queria, na hora que queria. Cresci solto pela rua, brincando, correndo, empinando pipa, jogando bola, nadando e pescando no rio, correndo no meio do mato. Quando eu ia chamar os amigos de infância para ir comigo, percebi que nem todos desfrutavam dessa liberdade: “Minha mãe não deixa”. Quando eu fui enquadrado pela polícia pela primeira vez eu vi essa liberdade ser confrontada: “Mãos na cabeça, encosta na viatura, documentos. Vai pra casa. Se eu te pegar de novo por aqui você tá fodido neguinho”. Também vi a polícia entrando na favela, prendendo e matando pessoas. Perdi muitos amigos, que foram executados pela polícia. Acho que a partir daí, quando tiram de você algo que você gosta muito, você passa a ser outra pessoa.
Eu comecei a me aproximar do movimento Punk, que era um movimento de contestação social libertário. Eu gostava de ver as pixações anárquicas nos muros, comecei a ouvir músicas que traziam a questão da resistência comportamental e as músicas de protesto e denúncia. Mesmo quando eu trabalhava de Dj de música eletrônica, procurava tocar também rap, rock e funk nacional, sempre fazia algum discurso no microfone (não muito elaborado na época) mas falava de algumas questões da favela. E assim cheguei ao Hip-Hop.
Quando comecei a escrever eu sempre quis escrever sobre aquilo que mais me incomodava. O escritor Borges tem uma frase que diz “alegria não faz literatura”. E eu percebo que, diante de todos os problemas da periferia, uma alegria individual não serve pra nós. A alegria tem que ser coletiva, e como a periferia continua sofrendo eu uso a ideia do Borges e digo que: “alegria não faz rap”. Então a minha música traz essa denúncia social porque é aquilo que mais me incomoda.
Qual sua opinião sobre o papel da música na construção de outras mentalidades? E quais seriam as vantagens do Hip Hop nesse sentido?
Existem músicas para várias funções diferentes. Cada música cumpre um papel social, seja de diversão, entretenimento ou de informação e construção de uma outra forma de ver e ler o mundo. A música traz impressões pessoais do músico a respeito de algo. Eu particularmente acredito que a música em si não muda nem transforma uma realidade. Quem tem que transformar a realidade é todo o conjunto da sociedade. Analisando a cultura musical atual, a maioria dos músicos não estão interessados em construir uma nova mentalidade. A grande maioria está fazendo músicas para atender exigências do mercado. E o mercado está interessado em música para entretenimento. O movimento Hip-Hop na minha opinião estacionou e não avançou na questão política. Continua sendo um movimento muito importante de resistência da cultura negra favelada, mas perdeu um pouco seu foco revolucionário.
Aliados da Periferia libera duas músicas do álbum Por Trás da Cortina

Negro Jonne e Cascão
Em fase de finalização do álbum Por Trás da Cortina, ADP (Aliados da Periferia) libera duas músicas para download.
acessem o blog do Verso de Honra para baixar as músicas:
http://versodehonra.blogspot.com
Assista também o teaser do álbum:
BRASIL ILEGAL NA LIVRARIA ANTONIO GRAMSCI DO RIO DE JANEIRO

O CD Brasil Ilegal, de Mano Zeu, é um exemplo de como a música pode servir de instrumento para a construção de uma sociedade mais justa. A primeira canção, assinada por Danilo Georges, já anuncia a crença de que o hip hop pode servir a uma “pedagogia libertária”. Ou seja: aquela que reconhece outras formas de ensinamento e transmissão de saberes, valorizando experiências que muitas vezes não encontram espaço na educação formal das escolas e universidades. Diz Danilo na primeira das quinze canções que compõem o CD: “Dentro da minha trajetória pessoal, enquanto sujeito histórico, posso relatar que o hip hop, o Coletivo Cartel do rap, a favela e movimento de jovens engajados da periferia fazem parte das minhas universidades. [...] Um pouco da pedagogia libertária está na música contundente do Mano Zeu, ao denunciar o autoritarismo desse Estado burguês”.
Como pretende ser, o CD é um ensinamento sobre a vida do povo, a vida do morro, a vida dos excluídos. Pela arte de Mano Zeu ouvimos a denúncia de uma “pátria armada”, repleta de periferias e favelas abandonadas pelo Estado, que chega nesses locais na maioria das vezes apenas com violência. O CD é um verdadeiro hino aos guerreiros sobreviventes do dia-a-dia: “salve os quilombos, povos originários. Salve mães, mulheres e filhos assassinados pelo Estado”. É um grito de denúncia do que a mídia encobre: o extermínio do pobre trabalhador, vítima da bala do Estado, vítima da exploração do patrão.
Em breve divulgaremos uma entrevista com o artista. O CD Brasil Ilegal custa R$ 10,00. Para garantir o seu, faça-nos uma visita ou envie e-mail para livraria@piratininga.org.br
Para conhecer e divulgar o trabalho desse lutador, envie um e-mail para boletimnpc@uol.com.br
MANO ZEU E MANO EDO SE APRESENTAM EM CURITIBA
Nesse sabado, dia 14 de Janeiro vai rolar em Curitiba a Parada Musical, com a presença de Mano Zeu e Mano Edo de Foz do Iguaçu.
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Que parada é essa?
- É a Parada Musical.
No cartaz, a faixa de pedestre representa o Rap Paranaense, que pede passagem. Na contramão da indústria fonográfica, derrubando os cones das dificuldades, seguindo em frente. Nas idas e vindas da vida, o rap é a trilha sonora das ruas.
- PRÓXIMA PARADA:
Curitiba, São Judas Tadeu, Bar do Ditinho. Transite pelo beco e vire à esquerda, aqui quem manda é o pedestre e o farol tá sempre aberto pras novas idéias. A parada é em comemoração ao aniversário do Dioninho que está de volta na parada.
A estrada é longa. Estamos no caminho.
- ATRAÇÕES DA NOITE:
Poetas do Gueto volta na ativa, oito anos depois. Passados duas eleições e duas copas do mundo, Dioninho volta à cena com novos sons que em breve ganharão às ruas. Outro irmão que vai colar nessa parada é o Black do grupo Sobreviventes do Gueto, mostrando que para sobreviver nessa selva tem que ter atitude, e força de vontade. Quem está de volta no cenário também são os irmãos da zona leste, que nas antigas representavam com o nome Artivistas MDE. Agora, com nova formação, novas músicas e novas idéias, se lançam nessa estrada com novo nome: MDE (Mensageiros da Expressão). Da zona norte vem o grupo Aliados Linha de Frente. E de Foz do Iguaçu, após 600 Km de estrada, cola na parada Mano Zeu.
Pra representar o Break, chega uma crew que já está a miliano dançando nesse solo: Twister Rock Style, do mano Marcelo. Outro irmão que vai representar nesse chão é o mano Wanderley, da quebrada do São Judas. outro irmão de Foz do Iguaçu que se apresentará no evento é o B.Boy Mano Edo, que atualmente está morando em Curitiba.
Pra trazer peso pro encontro foi convocado o Punk/Hc da banda Os Kreetinos. Os irmãos da quebrada do São Judas representam na cena desde as antigas.
- QUANDO VAI ROLAR ESSA PARADA?
- Sabadão, dia 14 de janeiro de 2012 (se o mundo não acabar, é claro).
- E QUANTO CUSTA?
- É na faxa!!! só não atropelar ninguém.
PEGUE A ESTRADA. NÃO PARE NA PISTA. PARADA MUSICAL, O RAP NÃO PARA!!!
O HIP-HOP, O CINEMA E A RESISTÊNCIA “PÓS-DITADURA”

O cineasta brasileiro Glauber Rocha foi um dos precursores do Cinema Novo no Brasil e produziu filmes críticos enquanto o país passava por uma grande censura e repressão durante a ditadura militar. O Cinema Novo se caracterizava por ser um cinema totalmente engajado com as questões sociais e trazia uma identidade própria, se opondo ao formato de produção estadunidense reinante na época. Glauber lançou um manifesto intitulado “A Estética da Fome” que trazia as características dessa nova forma de se pensar o país e se fazer cinema, trazendo para as telas a vivência social de países subdesenvolvidos. O manifesto sugeria uma “cultura da fome” mostrando que a alternativa da produção cultural dos países pobres era superar em qualidade e criatividade o que lhe faltava em estrutura. 
O livro “Cultura e Participação nos anos 60” de Heloísa Buarque de Holanda e Marcos Augusto Gonçalves nos mostra que a originalidade do Cinema Novo diante do cinema mundial estaria no fato de representar a “fome latina” e a sua mais “nobre” manifestação cultural: a “violência”. Podemos entender essa tal fome latina, não só como a fome do estômago, mas também a fome por mudanças que contagiou os países latino-americanos nas décadas de 50 e 60 e que culminou na revolução cubana em 1959. O que parecia ser inevitavelmente o destino de todos os países latinos foi amputado e minado por golpes militares. O receio de o Brasil se tornar “uma outra Cuba”, numa época em que o povo saía às ruas para reivindicar as reformas de base (agrária, tributária, política, educacional), e também cobrava a legalização do Partido Comunista, levou ao golpe militar orquestrado pelos Estados Unidos.
Glauber Rocha escreveu em seu manifesto que uma estética da violência, antes de ser primitiva é revolucionária. Utilizando-se do manifesto do cineasta e trazendo isso pros dias atuais e para as culturas produzidas por moradores de favelas e periferias, podemos dizer que só pela violência que o opressor irá perceber a existência do oprimido. Somente conscientizando essa única opção é que o opressor poderá compreender, pelo horror, a força da cultura que ele oprime e persegue. Nas palavras de Glauber “enquanto não ergue as armas, o colonizado é um escravo: foi preciso um primeiro policial morto para que o francês percebesse um argelino”. Essa violência de que falamos não está diretamente ligada ao ódio, mas também não está ligada ao falso humanismo vendido pelo opressor. “O amor que esta violência traz é tão brutal quanto a própria violência, porque não é um amor de complacência, mas um amor de ação e de transformação”.
Recentemente no Rio de Janeiro, após a investida das polícias e do exército nos morros e favelas, buscando executar o plano da tal “pacificação”, rumo às Olimpíadas e Copa do Mundo no Brasil, aumentou os abusos e violações dos direitos humanos praticados por esses agentes do Estado. O poeta e defensor dos direitos humanos Deley de Acari escreveu uma poesia em denúncia a esses abusos que exprime bem esse amor revolucionário – defendido por Glauber – que não se inquieta diante das atrocidades:
“Porque somos pacatos pensam que somos covardes / Porque somos humildes pensam que somos submissos / Porque somos calados pensam que aceitamos sem reagir que espanquem, torturem, humilhem e chacinem nossos meninos / Porque rosnam e babam feito pitbull pensam que nos paralisam de medo nos botando terror / Porque amamos a paz pensam que tememos a guerra e fazem de nossa comunidade um campo de concentração / Pensam que ficarão impunes seus crimes perversos contra nossa favela / Porque trazemos os braços abertos e as mãos vazias e limpas pensam que não temos armas pra lutar em nossa legítima defesa / Maior que seu ódio e crueldade é nosso amor pela justiça e pela verdade / Eu que não desprezo o valor de outras armas, escolhi o poema, o funk, o hip hop e o samba / E faço deles mais algumas armas pra criar no Acari assim como os pacatos e os justos fazem, um clima organizado de paz”.
Durante a ditadura militar muitos foram os artistas que utilizaram sua arte como uma ferramenta de luta contra a crueldade cometida pelo regime. A resistência cultural contra a ditadura foi grande, no cinema, na música, na poesia, no teatro, artistas militantes engajados se juntavam a outros movimentos sociais lutando para derrubar aquele sistema cruel e sangrento. Nessa mesma época, mais precisamente no início da década de 70, surgia nos Estados Unidos – com influência jamaicana – o Movimento Hip-Hop, trazendo uma nova forma de expressão artística e contestação dos jovens negros e latinos pobres que habitavam os guetos. Impulsionados pelos ensinamentos de Malcon X, Martin Luther King e os Panteras Negras, os jovens faziam dessa cultura uma forma de protestar e lutar contra o racismo, preconceito, discriminação e opressão que a população negra sofria.
O Hip-Hop chegou ao Brasil só na década de 80, no finalzinho da ditadura militar. Em pouco tempo se tornou a grande forma de expressão artística dos jovens favelados brasileiros e se organizou como movimento social. Em 1983 o Hip-Hop no Brasil tinha seu maior expoente na dança de rua Break (um dos quatro elementos do movimento), até então não existia no país grupos que cantavam a música rap. Os dançarinos se reuniam nas praças e estações de metrô e sofriam forte repressão da polícia. Nelson Triunfo que participou do início do movimento e que sempre cultivou um enorme cabelão – rompendo com os padrões de comportamento da época - disse em entrevista ao documentário “É Tudo Nosso”:
“Eu fui um dos cara que mais apanhei da polícia, pro cara usar um cabelo desse aqui no tempo do militarismo tinha que ser foda mesmo senão não agüentava não, era porrada todo dia. Alguns anos depois vieram falar que quando eu dançava em 83 na 24 de Maio era mais diversão, que eu não tinha idéia do que tava fazendo dançando Hip-Hop. Agora imagina o cara chegar no centro da cidade, tomar um bocado de porrada da polícia, ir preso, e no outro dia ta lá dançando de novo, eu quero saber o que tem de divertido nisso”.
No contexto do “fim” da ditadura militar no país, uma das maiores contribuições do rap foi mostrar que a ditadura militar não acabou, ela continua viva, mas agora travestida de democracia. Uma democracia que também tortura, reprime, e que traz contigo resquícios da ditadura e de um passado ainda não resolvido na sociedade brasileira. Não é à toa que boa parte das musicas de rap narram a violência policial perpetrada nas favelas e periferias e combatem os abusos de autoridade que são na verdade a continuidade do que aconteceu durante a ditadura. Antes do regime militar no Brasil não existia polícia militar e as demais polícias não usavam armas de fogo. Os mandados de busca e apreensão coletivos de hoje, no qual a polícia pode chegar numa favela e invadir casa por casa e também os autos de resistência onde um policial executa uma pessoa e alega que ela foi morta porque reagiu e entrou em confronto, é fruto da ditadura militar.
O povo favelado continua sofrendo com a ditadura velada dos dias atuais. Deley de Acari sofreu na pele as atrocidades praticadas pelos militares e sabe que a violência de hoje é resquício da violência do passado. Após o assassinato de Betinho, funkeiro da Favela de Acari e das agressões que o rapper Fiell do Morro Santa Marta sofreu por parte dos policiais, Deley escreveu em seu blog um texto onde conta como os militantes e artistas moradores de favela sofrem com a repressão:
“Só sei que qualquer motivo, mesmo o mais banal, é motivo bastante para os vermes atentarem contra as vozes discordantes e resistentes nas favelas”. Relembrando os anos de chumbo Deley escreveu: “Durante a Ditadura Militar muitos artistas de favela e periferia, sofreram perseguição, foram presos, reprimidos e censurados simplesmente pelo conteúdo contestatório e “comunista” de suas, obras de arte, no teatro, na música, na poesia. Enquanto os “medalhões” da musica de protesto tiveram condições de se exilar na Europa, nós ficamos aqui mesmo, exilados em nossas próprias favelas, em nossa periferia. Ao contrário do que aconteceu com esses medalhões, jamais fomos reconhecidos como “defensores de direitos humanos” que tínhamos como instrumento de luta, nossa arte.
Nos dias atuais, existem diversos movimentos culturais que combatem a violência de Estado. O teatro de rua, o cinema de periferia, os escritores e poetas marginais e periféricos, o Funk, o Hip-Hop, fazem de suas práticas culturais uma ferramenta de resistência, de denúncia, de construção, “de ação e transformação” como sugeriu Glauber. No Brasil, coletivos de “Hip-Hop Combativo” lutam pela abertura dos arquivos da ditadura e produziram um vídeo clipe da música “Ecos do Passado” que foi produzida coletivamente por militantes de São Paulo, Rio e Manaus. Um dos grupos que participa do vídeo é o grupo O Levante (RJ), grupo de viés socialista, internacionalista e que traz em suas músicas e ações o combate direto ao sistema capitalista. Em uma musica de seu primeiro álbum, intitulada “Revolução” podemos ouvir:
“Brotando do chão da periferia / a indignação se transforma em poesia / que desvenda os olhos, que destapam os ouvidos / pra fatos esquecidos / ou que estavam escondidos / como a guerrilha do Araguaia no regime militar / pedaço da nossa história que a imprensa não pôde contar / Rass Sobrinho, Osvaldão, Elza Monerat / quando ouvir nosso som você vai se lembrar / dos pretos estadunidenses nos instantes seguintes / ao assassinato do pastor Martin Luther King / vai lembrar do seqüestro do embaixador suíço / trocado por 70 presos políticos / dos quartéis, dos presídios, direto pro exílio / e no Chile de Allende foram acolhidos / obra assinada pela VPR / de Lamarca companheiro de Iara Iarenberg / vai lembrar de Conselheiro defendendo Canudos / e do verdadeiro MR8 de outubro (...)”.
Hoje a nossa democracia, ou “democracídio” – como costuma falar o amigo Eduardo Marinho – mata mais pessoas do que matou a ditadura. É claro que não podemos hierarquizar a violência – como fazem setores conservadores da nossa sociedade que chamam a ditadura no Brasil de ditabranda – sob o argumento que aqui se matou menos do que nas outras ditaduras da América Latina. A ditadura no Brasil foi cruel e sangrenta como em qualquer outra ditadura de qualquer parte do mundo. Ela matou sim – e matou muito – ocultou cadáveres, torturou, proibiu a participação política e a livre manifestação cultural do povo, baniu, cometeu crimes de lesa-humanidade.
Em nenhum sistema social nós podemos admitir que o Estado atente contra a vida de uma pessoa sequer. Resgatar esse passado sombrio, lutar para que se abram os arquivos, instalar comissões pela verdade e justiça é uma forma de lutar para que os crimes do passado nunca mais se repitam e buscar construir a cada dia uma sociedade mais humana.
RAP NO DIA INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS
ATO DO DIA INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS
Ato público no Morumbi
dia 10 de dezembro (sábado)
a partir das 19 horas
Av. Mario Filho ao lado da Escola Emílio de Menezes
Atividades Culturais:
Djs
Rap
Dança
Musica
Teatro
Sarau de Poesia
Varal de Protesto
Exposições
Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu.
MANDAMENTOS DA RUA E VERSO DE HONRA NO 1° GANGSTA SHOW

Mandamentos da Rua, Versos de Honra (Foz), Versão Real, Disparo Verbal, Resgate Mc's, Dilema do Gueto (Foz do Iguaçu). Esses são os grupos que estarão se apresentando no 1° Gangsta Show. O evento é organizado pelo Projeto New For Life e conta ainda com a participação do Beat Box Marcos Bordinelle Zanelle (Foz).
Dia: 10 de dezembro
Horário: 22:00hs
Local: New For Life - Christian Bar (antigo Otroplano)
(Rua Mandaguari 461, Jd. Santa Rosa)
Ingresso R$ 5,00







